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quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mais lamentações


Lamentável I
Só posso lamentar aqueles que acreditam que o Brasil terá chances de repetir, ou pelo menos aproximar-se, da campanha do Pan-2007, no que diz respeito ao número de medalhas de ouro conquistadas, nas Olimpíadas de Pequim no ano que virá.

Como já foi discutido neste blog (no post Alegria,tristeza e lamentações), o dinheiro público investido para trazer os Jogos Panamericanos para o Brasil não foi pouco e poderia ter sido utilizado para outras causas que necessitam muito mais destes recursos.

Pois bem, uma delas seria investir em futuros atletas, atletas e treinadores dos esportes olímpicos se o desejo for contribuir com o esporte. Quem sabe intercâmbios com países com tradição em determinada modalidade esportiva.

Fica evidente essa necessidade quando assistimos o atleta Vicente Lenílson terminar a prova dos 100m rasos na sétima colocação (são oito os participantes da final da modalidade), vendo o ouro ser entregue a um atleta da desconhecida Antilhas Holandesas.

Os Jogos Panamericanos são uma coisa, onde muitas vezes atletas são testados pelas delegações e treinadores dos países participantes; os Jogos Olímpicos são outra coisa, muitíssimo diferente, onde terá a presença de outras potências do Mundo todo – como Rússia e China, só para exemplificar -- e não apenas das Américas.

Mas os dirigentes brasileiros são chegados mesmo em obras caríssimas, as quais são colocadas em primeiro plano. Como se não houvesse outras prioridades...

Lamentável II
O comportamento da torcida brasileira na prova de declato, vaiando os atletas de outros países.

Comportamento semelhante teve o ex-jogador de basquete Oscar Schimidt na competição individual da ginástica artística, com gritos de “vai cair, vai cair!” para os ginastas que concorriam com os brasileiros.

Na verdade, até compreendo as atitudes, apesar de que não faria o mesmo (de certo daria aquela “secadinha” básica nos rivais dos nossos atletas).

Culturalmente, a torcida brasileira, quando se junta em estádios ou afins, tem por costume vaiar os rivais daqueles por quem estão torcendo. Incluindo nisso os esportes mais tradicionais e populares aqui no país, como o futebol, o vôlei e o basquete, nos quais os gritos e vaias são manifestações bastante comuns.

No caso de Oscar, pode-se afirmar o mesmo, ainda mais por ele ter se consagrado e atuado no meio do basquete que é um esporte popular.

A falta de vivência nestes esportes (atletismo e ginástica artística) – nos quais geralmente as pessoas que os acompanham o fazem por admirar determinado atleta, independente de sua nacionalidade --, seja assistindo-os pela TV ou praticando-os, com certeza contribuiu para essa atitude lamentável.

Seria interessante ver as emissoras de TV aberta do país transmitirem mais eventos de esportes olímpicos como o atletismo e a ginástica artística, seria interessante as escolas nas aulas de educação física incentivarem o ensino (não se trata de especialização, mas sim a vivência básica e a teoria) dessas modalidades.

E mais que as outras duas sugestões: seria interessante que o governo e os dirigentes do esporte brasileiro financiassem programas de incentivo a estes esportes e deixassem de lado a tola idéia de se realizar eventos incompatíveis com a realidade do Brasil, como os Jogos Panamericanos e a Copa do Mundo, que ao que tudo indica será mesmo em solos tupiniquins em 2014.

Só seria interessante...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Alegria, tristeza e lamentações


A campanha brasileira no Pan-2007, no Rio, superou hoje todas as anteriores com a trigésima medalha de ouro conquistada no tênis de mesa pelo trio Hugo Hoyama, Thiago Monteiro e Gustavo Tsuboi na final por equipes, batendo a equipe argentina.

Justamente no dia em que se completa uma semana da tragédia ocorrida em São Paulo, com o acidente do vôo JJ 3054 da TAM que custou a vida de 200 pessoas.

Durante essa semana se que passou, muitos ouros foram conquistados pelo Brasil no Pan: na ginástica artística, na natação, no vôlei de praia, no atletismo e, hoje, no tênis de mesa.

Sim, o Panamericano do Sr. Carlos Artur Nuzman -- presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) --, com obras caríssimas (superfaturadas?) e utilizando o dinheiro público.

Os ouros conquistados por Diego Hypolito, Mosiah Rodrigues, Jade Barbosa, Thiago Pereira, Rebeca Gusmão, pelas duplas Juliana e Larissa e Ricardo e Emanuel, pela Fabiana Murer, pelo trio do tênis de mesa e todas as demais medalhas que foram e serão conquistadas por atletas brasileiros são motivos de orgulho e de alegria para qualquer brasileiro.

No entanto, com a tragédia do avião da TAM que entristeceu o Brasil e o Mundo, eu definitivamente só tenho a lamentar a realização deste Pan do Rio de Janeiro, já que todo este dinheiro investido poderia ter sido utilizado para solucionar outros e maiores problemas como o da crise aérea que assola o Brasil.

O Sr. Nuzman tem a sensação de dever cumprido (ou não, pois há relatos de falta de comida para os atletas na Vila Panamericana e filas enormes nos espaços que recebem os jogos com torcedores à procura de ingressos que estão nas mãos de pessoas “VIPs” que sequer comparecem para prestigiar o evento, deixando lugares vazios que poderiam ser preenchidos pelos “comuns”) e conseguiu autopromover-se.

Enquanto isso os familiares das vítimas do acidente da trágica terça-feira do último dia 17 choram a perda de seus entes.

Medalha de ouro? Alegria momentânea. Agora temos mesmo é que lamentar.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Elefantes brancos

Estamos há menos de um mês para o início dos Jogos Panamericanos.

Engenhão e outras obras – todas elas bonitas, com tecnologia de última geração e também com o orçamento superestourado (chega a R$ 2,8 bilhões o cálculo que envolve os gastos para o evento esportivo mais esperado deste ano de 2007). Vale lembrar que existem diversas instalações esportivas para o Pan do Brasil que ainda não estão concluídas. E faltam apenas 21 dias.

Enquanto isso, no México, onde será realizado o Pan de Guadalajara em 2011, as obras (humildes, é verdade, porém em boas condições) estão bem adiantadas e a previsão do orçamento não chega a R$ 400 milhões.

Pegando o Engenhão como exemplo. Quem irá administrar esse elefante branco após os jogos? Um superestádio, muito bonito realmente, de última geração. Mas os clubes do RJ não têm condições de mantê-lo. O Flamengo, por exemplo, representado pelo seu presidente admitiu estar em estado de insolvência (http://www.opovo.com.br/705803.html). Caberá ao governo municipal ser o responsável pelo Estádio Olímpico João Havelange. Sabe-se lá até quando.

Outro elefante branco em pauta seria um estádio idealizado pelo presidente da federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, que seria levantado em área do centro da cidade de São Paulo, em detrimento à utilização do Estádio do Morumbi na Copa de 2014 no Brasil.

Provavelmente, essa superarena com supertecnologia e com todos os “super” que se possa imaginar – inclusive superfaturada – contará com o apoio do Secretário de Esportes da cidade de São Paulo, Walter Feldman.

O São Paulo FC já tem o seu projeto para o Morumbi e já encaminhou-o para a FIFA verificá-lo, estando o presidente Lula e o presidente da CBF Ricardo Teixeira cientes em relação ao assunto. Está tudo certo, não fosse essa alternativa burra proposta pelo presidente da FPF.

Mais um elefante branco. E depois da Copa? Qual será a utilidade da superarena? Seria bem mais inteligente da parte destes senhores investirem esse dinheiro em áreas em que se nota a ausência do esporte, utilizando estes locais e a ferramenta esportiva como um meio de socialização e educação das pessoas, em especial das crianças.

Talvez seja mais legal receber a Copa. Para, mais uma vez, ver as nossas esperanças de um futuro melhor serem esmagadas pelo elefante branco.