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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Enquanto isso na seleção brasileira...


Azedo?
E existem torcedores são-paulinos e jornalistas que reclamam as entrevistas de Muricy Ramalho (se já não bastasse a reclamação, também já utilizaram as suas coletivas para justificar o mau momento vivido pelo São Paulo no primeiro semestre de 2007). Acho que eles ainda não viram uma entrevista de Dunga.

Enquanto Muricy preza pela inteligência das perguntas, tendo um jeito peculiar de respondê-las sem desrespeitar os profissionais que as fazem, o treinador (?) da seleção brasileira deu hoje em sua entrevista coletiva um show de azedume.

Dunga, você deveria estar com um largo sorriso no rosto. Não é todo dia que o cargo de treinador do escrete nacional cai nos braços de alguém sem este ter o devido merecimento.

E o futebol da seleção?
Por enquanto, é o mesmo apresentado na Copa América inteira, exceção à final contra a Argentina – dona do mais vistoso futebol até então e novamente exibido na vitória sobre o Chile--, quando os hermanos perderam por 3x0 e não viram a cor da bola.

Com Kaká e Ronaldinho o futebol não deveria ter melhorado? Foi culpa da altitude? Talvez.

Eis o jogo contra o Equador no Maracanã nesta quarta-feira para responder a estes questionamentos.

Convocação
Neste ponto, não há o que se reclamar de Dunga.

Poderia ter convocado Alexandre Pato? Poderia. Mas não está sendo nenhuma injustiça não selecionar o atacante do Milan.

Descartando esta polêmica, no mais o azedo estagiário da CBF chamou os melhores, podendo trocar uma peça ou outra, porém sem nenhum alarde com aqueles que integram o atual grupo.

Inclusive o tão falado e criticado centroavante Afonso, que no meu entender não é este grosso e limitadíssimo jogador que falam. Mereceria, inclusive, ser titular no lugar de Vagner Love.

Uma boa opção para as próximas convocações é o esquecido Ricardo Oliveira, que em sete rodadas do Campeonato Espanhol já deixou sua marca quatro vezes pelo Real Zaragoza.

Futuro nas Eliminatórias
Será uma enorme e descabível surpresa se o Brasil não garantir presença na Copa da África do Sul em 2010.

Provável que seja aos trancos e barrancos, mas creio que a classificação será alcançada, juntamente com a favoritíssima Argentina e com o Uruguai que parece estar se ajeitando.

Colômbia, Equador e Paraguai brigarão com a celeste pela terceira vaga e/ou pela quarta colocação.

Resta saber se será Dunga o comandante quando o Brasil confirmar a participação no Mundial da África...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Futebol eficiente


A seleção brasileira conseguiu um feito inesperado por muitos: derrotou a até então favoritíssima seleção argentina por 3x0 em Maracaibo, na grande final da Copa América da Venezuela..

Foi a vitória da aplicação tática dos atletas comandados por Dunga cujo time vinha avançando de fase aos trancos e barrancos e era desacreditado por jornalistas e torcedores.

A Argentina foi dominada pelo Brasil que imprimiu uma forte marcação anulando as jogadas dos principais craques dos nossos hermanos – Riquelme e Messi – com uma dupla de volantes composta por Mineiro e Josué que fez sucesso por duas temporadas no time do São Paulo.

Além da dupla, deve-se destacar o trabalho feito por Elano e depois por Daniel Alves que o substituiu. Ambos posicionaram-se na meia-direita, atacando (quando a posse de bola era brasileira) e defendendo (quando os argentinos tentavam articular jogadas) por este lado, com o meio-campista Júlio Baptista exercendo função semelhante pelo lado esquerdo, porém com maior liberdade para atacar. Tanto que a jogada do primeiro gol do Brasil surgiu dos pés de Elano que lançou primorosamente o jogador do Real Madrid para abrir o placar e o segundo gol surgiu após cruzamento de Daniel Alves que foi desviado pelo zagueiro Ayala matando o goleiro Abondanzieri.

O Brasil atuou, portanto, com duas linhas de quatro (na defesa e no meio-de-campo), sendo que os laterais Maicon e Gilberto revezavam-se nas subidas ao ataque.

O time de Dunga foi perfeito e bastante eficiente contra a Argentina. No entanto, agora caberá ao comandante do time nacional refletir bastante e ter a humildade em reconhecer que Kaká e Ronaldinho Gaúcho devem ter lugar nesse time e que eles deverão ser peças fundamentais para alcançar o hexacampeonato na África do Sul em 2010.

Por mais que o time que conquistou a final da Copa América tenha sido eficiente, o talento dos dois craques não pode ser desperdiçado e a velha máxima de que “em time que está ganhando não se mexe” deverá valer também para a equipe que eventualmente contará com a presença de Kaká e Ronaldinho.

Felipão soube formar um time coeso e foi pentacampeão mundial com Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo Fenômeno – as melhores opções ofensivas na época. Se o estagiário Dunga for bom ele conseguirá obter bom desempenho com os dois grandes craques brasileiros – e isso não é opção; é dever!

domingo, 1 de julho de 2007

Um estágio de luxo


Chegar à seleção brasileira talvez seja o objetivo de todo jogador para um dia disputar uma Copa do Mundo. O mesmo pode-se dizer em relação aos técnicos. Alguns podem negar, mas com certeza desejariam um dia obter destaque suficiente para comandar o selecionado canarinho.

Dunga chegou à seleção sem ao menos ter comandado o time infantil de uma equipe qualquer do Brasil. Que experiência ele tem como treinador? Será que essa experiência é, realmente, necessária? Ou a vivência como atleta, campeão do Mundo em 1994, basta para assumir um cargo tão importante como o de treinador da seleção?

Recentemente houve todo o imbróglio envolvendo Kaká e Ronaldinho Gaúcho que pediram dispensa da seleção para a disputa da Copa América. E Dunga, em entrevistas, posicionou-se contra a decisão dos atletas, alegando que em seu tempo tudo o que o jogador mais queria era servir a seleção independente do campeonato ou se a convocação era para jogos amistosos.

Outra postura curiosa de Dunga foi colocar estes mesmos jogadores no banco de reservas quando assumiu o comando do Brasil no ano passado logo após o fracasso da seleção na Copa.

Estas duas atitudes do atual treinador do time verde e amarelo respondem às perguntas feitas anteriormente.

Independente do desempenho na Copa da Alemanha, Kaká e Ronaldinho Gaúcho são jogadores consagrados e a qualidade técnica de ambos não pode ser questionada por conta de um único mau resultado. Colocá-los no banco de suplentes foi o primeiro erro de Dunga. Quis passar a idéia de que com ele joga quem está bem, independente do nome. Isso seria válido em outro contexto, mas os craques em questão sempre prestaram excelentes serviços e não é assim, de sopetão, que se mostra uma filosofia de trabalho. Quis fazer justiça, mas foi injusto. Mostrou imaturidade no ofício de treinador.

O fato mais recente, envolvendo a convocação para a Copa América foi totalmente desnecessário. Com respostas ríspidas aos jornalistas sendo indiretamente direcionadas aos craques Kaká e Ronaldinho Gaúcho, Dunga mais uma vez mostrou-se imaturo. Os atletas têm esse direito e cabe a ele respeitá-los. Afinal, Kaká e Ronaldinho certamente optaram por descansar em suas férias para poder iniciar a pré-temporada em seus respectivos clubes focados em uma temporada longa e dura que virá pela frente: campeonato nacional, Champions League, eliminatórias para a Copa do Mundo, dentre outros torneios farão parte da rotina de jogos dos atletas de Milan e Barcelona.

Uma coisa, contudo, ninguém pode negar: Dunga é um predestinado, uma pessoa com sorte rara. Está aprendendo o trabalho de treinador de futebol em um ambiente que todos seus companheiros de profissão gostariam de estar. Quisera eu ter um estágio de luxo como o de Dunga, recebendo mensalmente um salário compatível com os de treinadores verdadeiramente vitoriosos.