Nessa semana pouco se falou sobre a seleção brasileira do
Dunga e muito menos sobre a rodada do Campeonato Brasileiro, que neste sábado
terá como atração principal o jogo Corinthians x Palmeiras. O assunto principal
da semana foi o imbróglio envolvendo o jogador Richarlyson, do São Paulo, e o
dirigente do Palmeiras, o Sr. José Cyrillo Júnior, após a repercussão do fato
de que supostamente um atleta de um grande clube paulista iria dar uma
entrevista ao programa “Fantástico” da Rede Globo assumindo sua
homossexualidade.
Fala-se por aí que este jogador seria o atleta sãopaulino.
No entanto, ninguém tem como provar e isso é intriga da oposição.
Principalmente a oposição alviverde, pois Richarlyson optou pelo São Paulo
quando esteve prestes a assinar contrato com o Palmeiras em 2005. Em uma
partida contra o time palmeirense naquele ano, o meio-campista marcou seu
primeiro gol pelo Tricolor e saiu comemorando dançando funk. Isso somado ao
visual que adotava na época (tinha cabelos compridos) foi prato cheio para os
rivais começarem a especular em cima de sua opção sexual.
A verdade é que Richarlyson é muito mais homem que muito
marmanjo por aí. Na acepção da palavra, é um ser humano que merece respeito.
Dentro de campo, nunca o vi tirando o pé de uma dividida, pelo contrário: é
esforçadíssimo e procura a ajudar o São Paulo com o seu futebol, jogando em
diversas posições; fora deleo, o jogador dá um exemplo e tanto para muitos
jovens que estão iniciando a carreira: concomitantemente com o ofício de atleta
de futebol, Richarlyson freqüenta as aulas da faculdade de Educação Física da
UNIP.
E DAÍ?
Toda esta celeuma na mídia esportiva em torno das declarações do diretor
administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Júnior, sobre a suposta
homossexualidade do jogador Richarlyson do São Paulo, e a posterior resposta
(infeliz) da mãe do atleta, me parece uma tremenda perda de tempo, numa época
em que há tantos assuntos para se tratar, como Copa América, Campeonato
Brasileiro, Mundial Sub-20 e os Jogos Pan-Americanos.
Tirando os envolvidos, que devem travar uma batalha judicial, os lamentáveis
programas de fofoca e os de humor (já que a piada tem a licença para ser
sexista e preconceituosa), a quem mais pode interessar a opção sexual de um
jogador de futebol? Qual a importância para o meio? Isso tem alguma
interferência no desempenho do atleta dentro de campo?
Não. Ou deveria não ter. Afinal, ele não é o primeiro, nem será o último.
Aliás, acho que seria um avanço moral no esporte se o Richarlyson assumisse a
sua opção sexual diferente, se for o caso, e os jogadores que se reprimem, que
vivem no perigoso submundo dos “michês”, ligado ao tráfico de drogas e
prostituição, pudessem também ter uma vida esportiva digna e verdadeira, como
qualquer outro atleta.
O jogador de futebol tem o seu lado artístico, um talento especial. E quantos
outros artistas foram e são fantásticos e hiperpopulares sendo homossexuais!
Elton John, Renato Russo,
Freddie Mercury, Morrissey, entre tantos outros, para ficar só na música,
desfilaram e desfilam seu talento, independente do que fazem entre quatro
paredes.
Por que não se discutir o novo time do São Paulo do Muricy? O quanto
Richarlyson (e também Hernanes) têm contribuído para uma melhor produção do
meio-campo tricolor? Quais as perspectivas do clube na luta por um título
histórico, o de pentacampeão brasileiro?
E mais: O homossexual que tem voz e gestos afetados é visto por muita gente
como alguém doente, pervertido. Mas e o jogador que admite que já saiu com um
travesti? Não é tão homossexual quanto? Além disso, o quanto pode ser
questionável a postura de um atleta que usa drogas, que dirige embriagado e
mata inocentes, que abandona sua família, que bate na esposa e nos filhos,
entre outras atrocidades que influenciam a sociedade de forma muito mais
agressiva?
O tempo na TV é tão caro, na relevância e no seu valor financeiro. Por que não usa-lo
para questões mais úteis e de interesse coletivo do que a opção sexual de uma
pessoa, ainda que pública?
Chega de perguntas! Deixem o menino ser feliz!