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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

“O chute da esperança”, um presente de Natal


Para quem acha esporte uma banalidade, ou algo supérfluo, eis aqui mais uma prova do contrário. Arrepiante, emocionante.

As aspas que compõem o título deste post é a definição de um pai sobre as realizações de seu filho, Anthony Starego, um garoto autista norte-americano, que sonhava em ser kicker, uma das posições do football, o futebol americano.

O autista tem diversas limitações cognitivas e até mesmo físicas. Não pode, por exemplo, sofrer contatos bruscos, o que é bastante comum no football – exceto na função escolhida por Anthony.

A história dele gerou uma reportagem da ESPN norte-americana e que foi reproduzida no Sportscenter da ESPN Brasil na edição deste Natal.

(Vale o parênteses: história que poderia bem render um documentário.)

Anthony decidiu ser kicker quando assistiu pela TV ao field goal que rendeu uma vitória apertada ao Rutgers Scarlet Knights, time que representa a Universidade de Rutgers, em New Jersey.

Anos depois, Anthony conseguiu, também com um field goal, garantir a vitória do Brick, time de seu colégio.

Vai explicar pra quem acha que o esporte é banal o que o garoto e sua família sentiram a partir de um simples chute...

Que esta história, como em todo Natal, sirva para renovar as esperanças. E que todos tenham um excelente 2013!

Ah! O vídeo você pode assistir abaixo, infelizmente sem a legenda da reportagem que foi exibida na ESPN Brasil.


quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mais lamentações


Lamentável I
Só posso lamentar aqueles que acreditam que o Brasil terá chances de repetir, ou pelo menos aproximar-se, da campanha do Pan-2007, no que diz respeito ao número de medalhas de ouro conquistadas, nas Olimpíadas de Pequim no ano que virá.

Como já foi discutido neste blog (no post Alegria,tristeza e lamentações), o dinheiro público investido para trazer os Jogos Panamericanos para o Brasil não foi pouco e poderia ter sido utilizado para outras causas que necessitam muito mais destes recursos.

Pois bem, uma delas seria investir em futuros atletas, atletas e treinadores dos esportes olímpicos se o desejo for contribuir com o esporte. Quem sabe intercâmbios com países com tradição em determinada modalidade esportiva.

Fica evidente essa necessidade quando assistimos o atleta Vicente Lenílson terminar a prova dos 100m rasos na sétima colocação (são oito os participantes da final da modalidade), vendo o ouro ser entregue a um atleta da desconhecida Antilhas Holandesas.

Os Jogos Panamericanos são uma coisa, onde muitas vezes atletas são testados pelas delegações e treinadores dos países participantes; os Jogos Olímpicos são outra coisa, muitíssimo diferente, onde terá a presença de outras potências do Mundo todo – como Rússia e China, só para exemplificar -- e não apenas das Américas.

Mas os dirigentes brasileiros são chegados mesmo em obras caríssimas, as quais são colocadas em primeiro plano. Como se não houvesse outras prioridades...

Lamentável II
O comportamento da torcida brasileira na prova de declato, vaiando os atletas de outros países.

Comportamento semelhante teve o ex-jogador de basquete Oscar Schimidt na competição individual da ginástica artística, com gritos de “vai cair, vai cair!” para os ginastas que concorriam com os brasileiros.

Na verdade, até compreendo as atitudes, apesar de que não faria o mesmo (de certo daria aquela “secadinha” básica nos rivais dos nossos atletas).

Culturalmente, a torcida brasileira, quando se junta em estádios ou afins, tem por costume vaiar os rivais daqueles por quem estão torcendo. Incluindo nisso os esportes mais tradicionais e populares aqui no país, como o futebol, o vôlei e o basquete, nos quais os gritos e vaias são manifestações bastante comuns.

No caso de Oscar, pode-se afirmar o mesmo, ainda mais por ele ter se consagrado e atuado no meio do basquete que é um esporte popular.

A falta de vivência nestes esportes (atletismo e ginástica artística) – nos quais geralmente as pessoas que os acompanham o fazem por admirar determinado atleta, independente de sua nacionalidade --, seja assistindo-os pela TV ou praticando-os, com certeza contribuiu para essa atitude lamentável.

Seria interessante ver as emissoras de TV aberta do país transmitirem mais eventos de esportes olímpicos como o atletismo e a ginástica artística, seria interessante as escolas nas aulas de educação física incentivarem o ensino (não se trata de especialização, mas sim a vivência básica e a teoria) dessas modalidades.

E mais que as outras duas sugestões: seria interessante que o governo e os dirigentes do esporte brasileiro financiassem programas de incentivo a estes esportes e deixassem de lado a tola idéia de se realizar eventos incompatíveis com a realidade do Brasil, como os Jogos Panamericanos e a Copa do Mundo, que ao que tudo indica será mesmo em solos tupiniquins em 2014.

Só seria interessante...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Jeitinho brasileiro


Já ouvi dizer que o Brasil é o país onde tudo é possível, ou melhor, o país em que para tudo se dá um jeitinho -- o famoso “jeitinho brasileiro”.

Não nego. Somos mesmo malandros, alguns no bom outros no mau sentido da palavra. Está cheio de malandro na política brasileira, em rolos que envolvem dinheiro na cueca e, mais recentemente, outro caso de corrupção envolvendo o presidente do Senado e do Congresso.

Corrupção? Golpes? No futebol também tem. Basta olhar um pouco para trás, coisa de dois anos, e lembraremos do caso do árbitro de futebol Edílson Pereira de Carvalho que se envolveu com um site de apostas e manipulava o resultado de jogos do Campeonato Brasileiro de 2005. E agora veio à tona o golpe da MSI, parceira do Corinthians, no clube francês Lyon, no episódio da compra do atacante Nilmar. Um golpe frio, de mafiosos mesmo.

Na Itália, o escândalo da máfia da arbitragem, que rebaixou a Juventus de Turim para a segunda divisão nacional daquele país e custou ao Milan, à Fiorentina e a outros clubes um déficit de pontos no início da temporada já encerrada na Europa.

Como se pode ver, não é só no Brasil que existe “malandragem”. Estão dando jeitinho para tudo!

Inclusive, agora, surge uma bomba envolvendo um esporte elitizado, que custa milhões e gera milhões de receita todo ano: a Fórmula 1. Há a suspeita de sabotagem, envolvendo um diretor técnico da Ferrari que teria colocado um pó branco nos motores dos carros de Felipe Massa e Kimi Raikkonen, e de espionagem, com a  participação deste mesmo engenheiro que estaria repassando informações preciosas à McLaren, que lidera o campeonato de construtores -- através dos pontos conquistados pelo britânico Lewis Hamilton e pelo atual bicampeão da F1, o espanhol Fernando Alonso --  e também o de pilotos, onde Hamilton lidera com relativa folga.

A corrupção realmente está generalizada e globalizada. E neste circo que virou o esporte, os palhaços somos nós, torcedores, admiradores, fãs e consumidores, que gastamos boa parte de nosso suado dinheiro para acompanhar jogos e eventos esportivos pela TV ou in loco.

Fala-se tanto em educação, em mostrar o certo e o errado para os jovens. Mas, particularmente, estou começando a descrer nisso. A ganância do ser humano fala mais alto, ele quer sempre mais, não tem limite e ao ultrapassá-lo atinge o limite dos outros. Posso -- e espero mesmo! -- estar errado, só sei que é difícil ter de acompanhar fatos como estes que foram relatados, quando o esporte deveria, mesmo, é alegrar aqueles que o acompanham, seja a modalidade que for.

Quem sabe, começando pelo nosso “jeitinho brasileiro”, não conseguimos colaborar para construir ao invés de destruir?